Uma
conversa dirigida aos proprietários de pequenas
e médias empresas, usando uma linguagem clara e
simples sobre a administração de um negócio
e os inúmeros problemas que somos obrigados a enfrentar
quando estamos na direção de uma pequena
empresa. A falta de capital, os problemas financeiros,
as dívidas, os protestos, a falta de caixa, a falta
de recursos para investimentos, um mundo de problemas que,
se não forem equacionados de maneira adequada não
deixarão outra alternativa a não ser o encerramento
da atividade ou, o que é mais atemorizante, a falência.
São problemas que milhares de empresas brasileiras
enfrentam todos os dias, deixando inúmeros trabalhadores
desempregados e trazendo evidentes prejuízos à economia
do país. Além do fechamento de vários
postos de trabalho, acabam ficando as dívidas no
mercado, dívidas estas que refletem negativamente
nas outras pequenas e médias empresas, que deixam
de receber e também são comprometidas financeiramente.
A seqüência desses problemas em cadeia pode,
no final do processo, ocasionar o chamado efeito dominó.
Com
algum conhecimento em finanças já é possível
diminuir bastante as estatísticas e mudar o quadro
assustador que as pequenas empresas enfrentam nos dias
de hoje. Dessa forma, nosso principal objetivo é o
de passar um pouco do conhecimento adquirido nos 15 anos
como administrador e falar de maneira simples e sem rodeios,
pois os termos técnicos que são muito utilizados
nos livros sobre administração acabam dificultando
o entendimento do leitor e passando a imagem de que administração é uma
atividade muito complicada. Na verdade a boa administração é o
segredo de qualquer negócio.
Leia
alguns trechos do Livro:
Capítulo:
Nota do Autor
"Se
você comprou, é porque provavelmente
o título do livro chamou sua atenção.
Você pode até achar que é um título
forte, agressivo, criado por algum publicitário,
de acordo com as mais modernas técnicas de marketing,
com o objetivo de levá-lo a ter o impulso de pegá-lo
na prateleira, folheá-lo e, finalmente, comprá-lo.
Só que, acredite, o título é bem verdadeiro.
Ele, na verdade, surgiu antes do próprio livro.
Apenas observei a quantidade de empresas que enfrentam
dificuldades financeiras nos dias atuais e se encontram
nas trevas, sem saber para onde ir. Empresas que não
têm a mínima idéia de como enfrentar
as dificuldades do dia-a-dia da administração
empresarial. E, se você também fizer um pequeno
exercício de analisar o mercado, verá que
o número de empresas que estão na mais absoluta
treva é muito expressivo.
Posso afirmar por experiência própria que
não é prazeroso estar lá, nas trevas,
absolutamente no escuro, sem perspectivas claras que nos
ajudem a solucionar os problemas oriundos de uma economia
cada vez mais complexa, cada vez mais globalizada. Já estivemos
nessa difícil situação por duas vezes,
afinal de contas, estamos no Brasil..."
"Por
volta de 1997, na minha última e inesquecível
viagem às trevas, quase larguei tudo. A situação
financeira da empresa era tão grave que tínhamos
somente dois credores: Deus e o mundo. Devido a uma série
de investimentos mal calculados e prematuros, a empresa
foi entrando numa situação caótica:
chegamos a ter 122 cheques devolvidos duas vezes, 39 títulos
protestados ao mesmo tempo, salários atrasados,
limite de conta corrente estourado em três bancos,
crédito cortado nos principais fornecedores e muitos
outros problemas. Na verdade, as coisas vão acontecendo
e quando nos damos conta a casa já caiu ou está prestes
a cair.
Quando a empresa não tem dinheiro você acaba
não recebendo corretamente e, com isso, também
não se pagam as contas pessoais, começam
os problemas em casa, aumentando ainda mais o desespero.
Trabalha-se catorze horas por dia no meio dos problemas
e, quando chega em casa, exausto, ainda vem sua esposa
reclamar que você não trouxe dinheiro, que
o condomínio está atrasado, que os vizinhos
vão comentar, que a escola das crianças já venceu
faz quinze dias e que você é o culpado..."
Capítulo:
Sistema de Controle Financeiro
"Seja
qual for o tipo do seu negócio, prestação
de serviço, comércio ou uma pequena indústria, é importante
saber como são controlados seus recebimentos, emissão
de documentos, acompanhamento dos resultados, controle
de estoques. Resumindo: como você administra sua
empresa? Já está na era da informática
ou ainda datilografa suas notas fiscais? Pense:
Quando vamos ao médico, antes de dar o diagnóstico
ele faz uma série de perguntas, pede vários
exames e, baseado nos resultados, identificará o
problema, indicando os medicamentos que irão combater
aqueles determinados sintomas. Na administração
de uma empresa não é diferente. Como poderemos
saber onde está o problema sem dispor de informações
exatas e corretas? Quando digo, exatas, são exatas
mesmo, pois se você é daqueles para quem tudo é mais
ou menos, sua empresa também vai ser uma empresa
mais ou menos. Só que já acabou a época
em que você sabia "mais ou menos" o quanto
custava aquela matéria-prima ou você sabia "mais
ou menos" quanto era seu Custo Fixo. Hoje, as empresas
brigam por centavos, trabalham pensando na produção
em larga escala..."
Capítulo:
Bancos
"Banco
bom é banco de praça, que está lá quietinho,
não cobra taxas por utilização e quando
você precisa depositar seus fundos ele continua lá,
impávido e receptivo. Já os outros bancos,
aqueles onde depositamos dinheiro e fazemos as mais diversas
transações financeiras, estes tratam você como
rei enquanto você não precisa deles, quando
sua conta está positiva, quando tem investimentos,
planos de capitalização, seguros, enfim,
quando sua empresa tem Caixa. No momento em que sua empresa
começa a ficar sem dinheiro, começam os problemas
com os bancos. O panorama a seguir provavelmente foi vivido
por você e milhares de outros empresários
como nós.
Quando a empresa está com o nome limpo e dinheiro
em Caixa, com as finanças absolutamente saudáveis,
toda semana o gerente de algum banco liga, querendo que
você abra uma conta, oferece ótimas taxas,
está sempre desejoso de agendar uma visita. Convencido
de que só terá a ganhar, seduzido pelas inúmeras
vantagens oferecidas, você acaba abrindo duas ou
três contas em bancos diferentes e todos lhe dão ótimos
limites, mesmo você dizendo que não quer..."
Capítulo:
Caixa
" Neste capítulo vamos poder entender bem
os motivos que nos levam às trevas. Vamos falar
do Caixa. Antes de qualquer coisa, responda uma única
pergunta: Você não é do tipo de dono
de empresa em que o caixa interno fica no seu bolso, é?
Pelo amor de Deus. Precisa comprar papel higiênico,
pedem a você; precisa comprar um detergente, pedem
a você; o cliente paga uma fatura em dinheiro e você coloca
no seu bolso; vence o condomínio da sua casa e você paga
com o dinheiro da empresa. Se, por acaso, você se
encaixa nesta situação, pode ir mudando suas
atitudes, porque dessa maneira você não vai
chegar a lugar nenhum. A única pessoa que pode ficar
com o dinheiro no bolso é o frentista de posto de
gasolina. E por poucas horas, pois já vai longe
a época em que você parava no posto e o frentista
tirava aquele bolo de dinheiro do bolso. Hoje, se ele fizer
isso, é roubado, seqüestrado,etc...."
" O primeiro passo é entender o que é o
Caixa e como ele funciona, para saber identificar o que
acontece com sua empresa. Vou dar um exemplo bastante simples:
Seu
Zé foi dispensado da empresa onde trabalhava
e recebeu R$2.000,00 de rescisão. Pensou bem sobre
o que faria com aquele capital e resolveu comprar um carrinho
de pastel que custava R$1.800,00. Foi ao fornecedor e pagou à vista,
pois não gostava de dever nada para ninguém.
Feliz da vida, o seu Zé pegou os R$200,00 reais
que ainda tinha e comprou tudo em massa, recheio e gás,
matéria prima suficiente para fazer 200 pastéis.
Dessa forma, o custo variável do pastel era de R$1,00
por unidade. Seu Zé começou a trabalhar e,
como seu carrinho ficava na porta de uma grande empresa,
resolveu abrir conta para seus clientes que lhe pagariam
quando recebessem seus salários, dali a 20 dias.
O pastel do seu Zé foi um sucesso. No primeiro dia,
ele vendeu 100 pastéis a R$2,00 a unidade.
Foi pra casa feliz da vida, comemorou com sua esposa e
dormiu em paz. No dia seguinte, seu Zé vendeu mais
100 pastéis a R$ 2,00 a unidade. Que maravilha,
que negócio bom, com 100% de lucro! Foi pra casa
mais feliz da vida ainda. E, quando ia começar a
comemoração com a esposa, seu Zé percebeu
que estava falido. Percebeu que tinha investido os únicos
R$200,00 que tinha para produzir 200 pastéis. Vendeu
os 200 pastéis, dobrou seu Capital para R$400,00,
mas só iria receber dali a 20 dias. E não
tinha dinheiro no Caixa para comprar mais massa e recheio
para continuar a produzir e vender.
Triste, não é? Sua empresa bate recorde de
vendas, com alta lucratividade e vai a falência. É isso
mesmo meu amigo. Isso já aconteceu com a minha empresa..."
Capítulo: Depreciação
"Segundo
o dicionário Aurélio, depreciação é o
mesmo que baixar o valor, rebaixar, desvalorizar. Você costuma
depreciar os bens da sua empresa ou nem sabe o que é isso?
Na verdade, a maioria dos proprietários de pequenas
empresas que conheço não percebe a importância
de depreciar suas máquinas e bens. Muitas vezes,
dependendo do seu lucro, se ele for menor que a depreciação,
está tendo prejuízo e nem se deu conta disso.
Se acha que as máquinas, bens, veículos e
móveis da sua empresa são bens, pode ir mudando
o seu conceito.
Vamos tentar ver a depreciação de forma mais
simples. Você tem R$100.000,00 e resolveu abrir um
negócio. Fez as análises e levantamentos
que achou necessários e vai gastar os R$100.000,00
em máquinas para produção, por exemplo.
Fez suas contas de custo fixo, aluguel, luz, telefone,
mão-de-obra e chegou ao valor do custo fixo. Partiu
para o cálculo das matérias-primas e também
chegou a um número. Aplicou sua margem de lucro,
baseado no que o mercado cobra por esse produto ou serviço
e pronto. O preço está estipulado e você fica
pensando que tem um patrimônio de R$100.000,00 investido
na sua empresa, certo?..."
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